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China sinaliza que pode liberar cultivo de transgênicos nos próximos anos

A ABRASEM Notícias 18 de abril de 2016

Funcionário do Ministério da Agricultura defendeu os organismo modificados, surpreendendo especialistas no setor

 

Um funcionário do ministério da agricultura da China, Liao Xiyuan, fez nesta semana uma rara defesa da pesquisa e do plantio de transgênicos no país, surpreendendo observadores do setor. Este é um assunto que irrita muitas pessoas no país, desde especialistas preocupados com os efeitos de organismos geneticamente modificados (OGMs) na saúde humana até militares que querem proibir a importação de transgênicos por uma questão de defesa estratégica.

A China não permite a produção comercial de alimentos OGM no país. A mudança mais recente nessa política ocorreu em 2009, quando autoridades certificaram a segurança de algumas cepas de arroz e trigo cultivadas domesticamente. De acordo com Liao, uma das prioridades do governo em seu plano de desenvolvimento para os próximos cinco anos “é fortalecer a pesquisa sobre algodão e milho como estratégia de industrialização para lavouras comerciais, e promover o processo de industrialização para novas cepas de algodão e milho resistentes a pragas”.

Os comentários poderiam ser vistos apenas como jargão burocrático, não fossem outros sinais de que a China pode adotar uma posição mais agressiva em direção aos transgênicos. No fim de janeiro, o “Documento Central Nº 1”, um plano que estabelece as políticas agrícolas mais importantes de Pequim, fez uma referência a OGMs. Esta foi apenas a segunda vez que o termo foi incluído no documento anual. Neste ano, o documento disse que Pequim deveria “fortalecer a pesquisa e a regulação de técnicas agrícolas de OGMs, fazendo sua promoção cuidadosamente e garantindo a segurança”.

A análise do documento oferece pistas sobre como Pequim pretende implementar o uso de OGMs, podendo afetar a produção de milhões de toneladas de commodities agrícolas, assim como alterar a dinâmica do agronegócio em nível global .”A linguagem no documento indica que ainda somos lentos no desenvolvimento de OGMs, e que deveríamos aumentar o ritmo” afirmou Cherry Zhang, analista do mercado de milho na consultoria Shanghai JC Intelligente.

“É isso que o funcionário do ministério da agricultura também está dizendo, embora não tenha confirmado que o governo vai mesmo liberar a produção comercial até 2020. “Analistas apontam que parte importante da mudança da abordagem chinesa é a resolução de um problema de cunho tecnológico: “Como controlar a origem das sementes?” Em fevereiro, a estatal do setor químico ChemChina fechou acordo para comprar a Syngenta, produtora suíça de sementes e agrotóxicos, por US$ 43 bilhões.

Se concluído, o negócio deixará uma das maiores produtoras de sementes transgênicas, incluindo de milho e algodão, sob controle de Pequim. Desde os anos 80, o governo chinês vem tentando desenvolver a tecnologia de OGMs, incentivando pesquisas na área e até enviando representantes do governo a universidades e empresas nos Estados Unidos. No entanto, durante esse período, companhias europeias e norte-americanas tomaram a dianteira do setor, fazendo com que a China perdesse o interesse.

No outono de 2014, o presidente chinês Xi Jinping definiu suas prioridades. A China, disse ele, deve ter seus próprios OGMs. “Devemos ser ousados e inovadores, dominando os pontos-chave das técnicas de OGM. Não podemos deixar companhias estrangeiras dominar esse mercado”, afirmou.Nos próximos cinco anos, a jornada chinesa em busca desse domínio deve começar.

 

Disponível em: http:http://revistagloborural.globo.com/Noticias/Agricultura/noticia/2016/04/globo-rural-china-sinaliza-que-pode-liberar-cultivo-de-transgenicos-nos-proximos-anos.html