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Produtor deixa de plantar para evitar riscos

Notícias 22 de março de 2013

A queda brusca de 55% no preço do algodão cm pluma em menos de um ano, a proliferação de pragas e a elevação dos custos de produção são alguns dos fatores que levam o setor a vivenciar uma das piores crises das últimas décadas. Os excelentes níveis de preços atingidos por outras commodities, principalmente soja e milho, também estão contribuindo para que um número cada vez maior de produtores reduza a área plantada ou mesmo abandone a atividade.

 

0 sexto levantamento da safra 2012/2013, da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), mostrou que a área brasileira de algodão irá atingir 967,7 mil hectares, representando um decréscimo de 30,6% em relação a 2012. Nesse cenário, a produção de algodão cm pluma esperada para a temporada 2012/13 é de 1,3 mil toneladas, 25,4% a menos do que na safra anterior.Terceiro maior produtor do Pais, Goiás também deverá registrar unia queda de quase um terço da área plantada este ano, atingindo uma área de aproximadamente 49,5mil hectares.

Até pouco tempo um dos maiores produtores de algodão de Goiás, o município de Acreúna, localizado na região Sudoeste do Estado, assiste a uma redução drástica da área plantada. Com o preço em baixa, apenas um agricultor decidiu insistir na cultura, mas mesmo assim reduziu a área. 0 agricultor Wander Carlos de Souza, que já foi considerado o maior produtor individual de algodão do planeta, simplesmente abandonou a atividade este ano.

 

Nos bons tempos para a cultura, ele chegava a destinar 12 mil hectares de terras para o algodão no município. No ano passado, ele já havia diminuído a produção para apenas 3 mil hectares. Segundo o técnico responsável pela lavoura, se o preço melhorar eles podem tornar a investir. “Mas no momento não está valendo a pena.”

 

Produtores tradicionais, como Paulo Kenji Shimohira, cuja família cultiva algodão desde 1957, não escondem que o momento é um dos mais difíceis dos últimos anos para o cotonicultor. Se até o ano passado ele plantava mais de 6 mil hectares de algodão, agora destina pouco mais da metade dessa área para a cultura. Para fazer frente às pragas, já gastou cerca de US$ 1 milhão a mais em defensivos agrícolas do que no ano passado para manter as unidades de cultivo em Goiáse na Bahia.

 

COOPERATIVA

 

Presidente da Cooperativa de Produtores de Algodão de Mineiros (Comfibra), Dermeval Rodrigues da Cunha Júnior conta que, devido às dificuldades do setor, a entidade vem perdendo membros desde o ano passado. Ele calcula que a área plantada de algodão este ano já teve um decréscimo de aproximadamente 40%em relação a 2012.

 

Dos 16 produtores que integram a cooperativa, quatro já deixaram a atividade este ano no município. Para Dermeval, além dos preços baixos, o principal motivo foi o aumento dos custos. Adubos que custavam RS 850,00 no ano passado, agora são encontrados nas revendas autorizadas por cerca de RS 1,4 mil.

 

Dirigente acredita em recuperação de preços

 

Presidente da Associação Goiana de Algodão (Agopa) e produtor em Chapadão do Céu, município que sofreu com problemas climáticos na última safra, Luiz Renato Zapparoli enxerga perspectivas de recuperação dos preços no futuro próximo. Segundo ele, o cenário também é de retorno de um equilíbrio maior entre consumo e produção ainda este ano para o setor.

 

Com a recuperação dos preços, que já começou a ser sentida nos países consumidores, ele acredita que a área plantada deverá voltar a crescer na próxima safra. Segundo o dirigente, a queda foi provocada pela crise internacional, queda de consumo e pelo fato da China ter adquirido grande parte da produção como forma de regular o mercado internacional do produto.

 

0 produtor iniciou o plantio com uma perspectiva negativa, mas os preços já começaram a se recuperar e a previsão já está se tornando bem mais otimista.” Ele relata que a luta das entidades organizadas, de agora em diante, é para que o governo federal reajuste o preço mínimo do algodão. “A política adotada pelo governo, atualmente, é irreal. Nas atuais condições, o preço mínimo não pode ser inferior a 62 reais.”

 

Ao invés de ficar na expectativa de ajuda governamental para a manutenção de um preço que garanta rentabilidade para o produtor, Luiz Renato também espera que o setor enxergue c crie mecanismos de proteção para resistir às variações de preços. Na visão dele, apesar do cenário atual beirar a catástrofe e muitos produtores terem reduzido a área ou mesmo abandonado a atividade, o algodão tende a se tornar uma cultura rentável em um curto espaço de tempo. “Se hoje ele é o patinho feio, amanhã deverá se tornar um belo cisne.”

 

Antes praga secundária, lagarta agora é pesadelo

 

Considerada até pouco tempo uma praga secundária, a lagarta Helicoverpa Zea se tornou um pesadelo para os produtores de algodão e também de outras culturas. Ela já atinge 12 Estados brasileiros e, segundo a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa). pode gerar prejuízos de R$ 2 bilhões.

 

Um documento contendo a estimativa foi entregue pela entidade ao Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa) no começo de março, pedindo ainda que o governo federal auxilie na liberação de produtos eficazes no combate à praga. A principal reivindicação é para que seja autorizado o uso do defensivo Emamectin Benzoato, já utilizado com bons resultados cm outros países como Estados Unidos, Austrália e Japão.

 

Não existe até hoje nenhum produto de combate a esta praga no Brasil, que ataca ainda as culturas de milho, sorgo, milhe-to, laranja, tomate, abóbora e algumas variedades de feijão. Além dos prejuízos econômicos e sociais, uma das preocupações da Abrapa é que a utilização de outros produtos, na tentativa de conter a lagarta, cause contaminação do solo. Outro risco é a possibilidade de a lagarta se espalhar para os demais Estados brasileiros.

 

MANEJO DE INVASORAS

 

A Associação Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem) tem alertado os produtores de algodão sobre a necessidade de manejo das plantas daninhas nas lavouras. Sem adoção das práticas recomendadas, a redução na produtividade pode chegara 30%. A principal recomendação para fazer o controle é o manejo integrado.

 

Pesquisadores acreditam que existem duas tendências futuras. A primeira centrada em sistemas de manejo de plantas daninhas diversificados, inserindo, junto com o herbicida recomendado para a cultura bio-tecnológica, herbicidas com mecanismo de ação alternativo, com ação residual ou pós-emergente. E a segunda com foco no desenvolvimento de culturas biotecnológicas. com múltiplas possibilidades de uso de herbicidas de diferentes mecanismos de ação.

 

O Popular – GOIANIA – (GO) – 22/03/2013