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Transgênicos sem polêmica

Notícias 31 de março de 2013

Do total da produção brasileira de grãos, 58% é de cultivares modificadas; redução nos custos e no manejo estimulam adoção da biotecnologia

Início dos anos 2000 e a adoção de biotecnologia nas lavouras brasileiras não chegava a cinco milhões de hectares. O futuro dos transgênicos era visto como uma grande interrogação e seus possíveis efeitos em seres humanos causavam temores na população. Em 2003, o Paraná, na época governado pelo atual senador Roberto Requião, travava uma luta particular com o Governo Federal para se tornar “zona livre de transgênicos”. O Estado chegou a criar uma lei que proibia o cultivo, manipulação, importação, industrialização e comercialização dos transgênicos. Questionamentos e polêmicas que, aparentemente, ficaram no passado.

O último levantamento realizado pela Céleres, empresa de consultoria de agronegócio, aponta que a área com lavouras transgênicas do País deva atingir a incrível marca de 37,1 milhões de hectares – a maior da história – com um crescimento de 14,1% em relação ao período anterior. Ao cruzar o estudo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que aponta que a atividade agrícola nacional é atualmente de 63,7 milhões de hectares, conclui-se que pela primeira vez as plantas geneticamente modificadas ultrapassaram a metade da área plantada do território nacional. Exatos 58,24% da produção brasileira são transgênicas.

No Paraná, não é diferente. A biotecnologia na cultura de soja é adotada hoje em 84,8% da área plantada, algo em torno de 4,05 milhões de hectares. O milho já atingiu a incrível marca de 90,9%, ou 2,73 milhões de hectares. Já o algodão, apesar de possuir uma área inexpressiva no Estado, tem 30% da sua área total de transgênicos. A todo são 6,8 milhões de hectares (18,3% da área total do País), perdendo apenas para o Mato Grosso (9,9 milhões de hectares). O terceiro é o Rio Grande do Sul, com 5,4 milhões de hectares.

De acordo com o analista de biotecnologia da Céleres, Jorge Attie, a adoção crescente da biotecnologia no agronegócio é um “processo sem volta”. Ele comenta que depois que o produtor conheceu os benefícios da transgenia, não houve retorno. “A redução de custos, de manejo e a diminuição de entradas na área de plantio facilitou muito todo o processo. O produtor pode até ter um pouco do grão convencional, mas sempre vai adotar também o transgênico”, avalia Attie.

Além disso, o especialista comenta que benefícios ambientais que foram trazidos pelos transgênicos também facilitaram o cuidado que o produtor rural precisa ter com o meio ambiente. “São menos aplicações de defensivos e utilização de água. Além disso, como as máquinas entram menos na lavoura, reduz-se o consumo de diesel, diminuindo a emissão de dióxido de carbono na atmosfera.”

Entre os pontos negativos elencados por Attie depois que os transgênicos dominaram as lavouras mundiais, um deles é a falta de cuidado no manejo das sementes modificadas, o que pode trazer resistência a certas pragas e doenças. “Como acontece na área plantada de convencionais, é preciso fazer a rotação de eventos transgênicos, colocá-los em talhões e rotacionar isso, mantendo a vida útil da tecnologia. O produtor às vezes não tem conhecimento sobre isso, as empresas precisam reforçar o trabalho de informação.”

Como já levantado, as três commodities responsáveis pela força dos números nacionais em biotecnologia são a soja, milho e o algodão. Mas, se depender do empenho e investimentos das multinacionais do agronegócio, diversas outras culturas devem chegar nos próximos anos para engrossar esse caldo. “Uma variedade nova de transgênico demora, entre pesquisa, desenvolvimento e aprovação, de sete a dez anos para chegar ao mercado. O custo disso gira em torno de US$ 100 milhões a US$ 200 milhões para cada uma delas.”

Do total da produção brasileira de grãos, 58% é de cultivares modificadas; redução nos custos e no manejo estimulam adoção da biotecnologia

 

Agrolink – PORTO ALEGRE – (RS) – 31/03/2013