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Lagarta e seca causam perdas de R$ 1,5 bi no oeste da Bahia

Notícias 17 de abril de 2013

Luiz Eduardo Magalhães

A região baiana de Luiz Eduardo Magalhães, que integra a Nova Fronteira Agrícola brasileira, conhecida por Mapitoba (formada por Maranhão, Piauí, Tocantins e Bahia), teve um prejuízo de mais de R$ 1,5 bilhão na última safra devido à seca, que estimulou o aumento de uma lagarta que atingiu as lavouras de soja, milho e algodão. Ela mede no máximo 50 milímetros, mas colaborou para que a última safra de grãos e algodão do oeste da Bahia caísse, em média, 30%.

A lagarta da mariposa Helicoverpa, que costuma atacar as plantações de milho e que geralmente não chega a prejudicar toda a produção, neste ano se reproduziu além do normal por causa do clima seco e chegou a arrasar plantações inteiras.

Após 80% da safra de soja já ter sido colhida na região, os produtores calculam que a produtividade média caiu 32% com relação à safra passada, passando de uma expectativa de 55 sacas por hectare para 37,6 sacas por hectare efetivamente colhidas, segundo dados da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (AIBA). Porém, segundo o presidente da entidade, Júlio Busato, “existem situações pontuais no caso da soja em áreas novas que não colheram nada”. No caso do milho, a produtividade caiu 22%, com uma colheita de 125 sacas por hectare, contra uma expectativa inicial de 160 sacas por hectare.

 

Cotonicultura

A maior preocupação agora, porém, é com o algodão. Com a colheita prevista para daqui cerca de 30 dias, as plantações de algodão são as únicas que ainda se mantêm de pé no Oeste da Bahia, fator que os produtores temem que seja um atrativo para as pequenas lagartas. A AIBA já calcula uma queda de produtividade de 15%, de 270 arrobas por hectare para 230 arrobas por hectare.

Segundo a presidente da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), Isabel da Cunha, que estima uma produtividade média na região de 240 arrobas por hectare, a produção total só não será menor por causa das chuvas que têm ocorrido neste mês de abril na região. “Essas chuvas devem reverter um pouco o quadro de estiagem e a pressão da lagarta. Mas tem que estar sempre alerta”, comenta. No ano passado, quando o algodão sofria apenas com a seca, a produtividade baixou para 204 arrobas por hectare. Para este ano, ela atribui à estiagem uma quebra de 15 arrobas por hectare e outras 15 arrobas por hectare por causa do ataque da Helicoverpa.

Além de reduzir a produtividade, a lagarta ainda demanda investimento extra em inseticidas e técnicas de manejo da lavoura. Apenas as aplicações de inseticidas elevaram em 20% seus custos. Isso representa US$ 300 a US$ 350 a mais por hectare. Porém, com as chuvas recentes, alguns produtores têm reduzido as aplicações de inseticidas de 4 dias para 8 a 10 dias. Já os sojicultores do oeste baiano não tiveram a mesma sorte de pegar ciclos de chuvas antes da colheita e desembolsaram entre US$ 50 e US$ 80 a mais por hectare para combaterem a praga. De acordo com Busato, os gastos que os produtores do oeste da Bahia tiveram com o combate ao inseto somam US$ 92 milhões.

A lagarta foi detectada pelos produtores da região há cerca de dois anos e foi observada em outros cantos do País em 2012, como no sul do Maranhão e Piauí.

Combate à praga

A Helicoverpa também já causou sérios prejuízos à agricultura na Austrália na década de 90. Sabendo disso, as associações de produtores e o poder público estadual e federal organizaram uma missão para aquele país com o objetivo de descobrir quais foram os mecanismos usados na época para combater a praga. Foram criados cinco grupos para trabalhar no desenvolvimento de várias técnicas para controlar o animal. Recentemente, a Associação Estadual de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab) liberou o uso do benzoato de emamectina, um produto químico considerado ideal no combate à lagarta, após a liberação de outros três produtos químicos e dois biológicos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

 

DCI – SÃO PAULO – (SP) – 17/04/2013