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Produtores comemoram recuperação em 2012

Notícias 3 de janeiro de 2013

Repasse dos custos ao preço da carne resultou em grande valorização a partir da segunda metade do ano passado.

O mercado brasileiro de carne suína encerrou um ano inesquecível. Se nestes últimos dias de dezembro o cenário foi positivo para o setor, o mesmo não pode ser dito dos primeiros seis meses do ano, que foram de muitas dificuldades, segundo a analista de Safras&Mercado Andreia Mariani. “A suinocultura enfrentou cenário muito complicado no mercado interno no primeiro semestre de 2012, com uma queda significativa nos preços pagos ao produtor”, destaca.

Ela recorda que, no primeiro trimestre do ano, o quilo do suíno vivo foi precificado em média a R$ 2,43 no Centro-Sul do Brasil, em linha com o valor praticado em igual período de 2011.

“No entanto, no decorrer do segundo trimestre, a valorização do milho e do farelo de soja, principais insumos utilizados na alimentação animal, acabaram pressionando o mercado. Paralelamente a esse fator, no mesmo período, o setor apresentou quadros de excedente de oferta, o que fez com que os preços da carne suína caminhassem em sentido inverso aos custos de produção. Com isso, muitos suinocultores tiveram grandes prejuízos”, salienta.

O preço médio no Centro-Sul apresentou desvalorização de 23% em junho frente aos primeiros meses do ano. “Na região Sul, por exemplo, os preços do quilo vivo saíram da casa de R$ 2,40 para R$ 1,70, muito abaixo do que foi praticado em igual período de 2011. Já em São Paulo a arroba suína saiu da casa dos R$ 63,00 em janeiro, passando para R$ 38,00 na ultima quinzena de junho”, avalia.
Andreia comenta que as exportações e o consumo interno mostraram desempenho insuficiente na primeira metade do ano para uma melhor relação de oferta e demanda. O embargo russo teve continuidade e houve dificuldades na exportação para a Argentina. No primeiro semestre do ano, as exportações brasileiras de carne suína somaram 259,247 mil toneladas, que foram responsáveis por uma receita de US$ 667,033 milhões.

Embarques – “Comparativamente ao mesmo período do ano passado, as exportações somaram um volume inferior, de 253,936 mil toneladas, porém com uma receita 5,2% superior a de 2012”, analisa. A produção foi 4% superior frente ao primeiro semestre de 2011.

Conforme a analista, com o mercado pressionado era preponderante que o setor reajustasse a produção para obter uma recuperação das margens no segundo semestre. Entretanto, o setor manteve o volume de animais abatidos, com produção em torno de 5% superior ao segundo semestre de 2011. “Como os custos de produção seguiram efetivos, foi necessário um repasse aos preços da carne suína, o que resultou em uma expressiva valorização a partir da segunda metade do ano”, comenta.
Outro fato que marcou o segundo semestre, de acordo com a analista, foi a forte recuperação das exportações, com volume médio mensal de 55 mil toneladas. “A demanda doméstica também aumentou, sobretudo a partir do último trimestre, por conta das festividades de final de ano. O resultado foi uma menor disponibilidade de carne suína no mercado interno, o que sustentou os preços da carne”, avalia.
“Isso possibilitou que no Centro-Sul o quilo vivo atingisse o valor recorde de R$ 3,20. Em São Paulo, por sua vez, a arroba suína teve alta de 85% entre junho e a segunda quinzena de dezembro, alcançando valores entre R$ 71,00 e R$ 72,00 por arroba. Com isso, o setor recuperou a rentabilidade que foi muito comprometida no início do ano”, acrescenta.

Dados acumulados até novembro apontaram para um crescimento de 14,% nos embarques de carne suína frente ao mesmo período do ano passado. Estima-se que o ano encerre com volume total de 575 a 580 mil toneladas de carne suína embarcada.
Andreia sinaliza que a produção tem dado preliminar de 3,554 milhões de toneladas de janeiro a novembro, devendo atingir 3,8 milhões de toneladas em 2012. “Considerando os dados estimados, é aguardada disponibilidade interna na casa das 3 milhões de toneladas, o que representa um avanço de 1,71% frente ao ano passado, o que justifica os momentos de dificuldade vivenciados pelo setor em algumas ocasiões”, ressalta.

Perspectiva – A perspectiva é de que os preços da carne suína apresentem desvalorização no primeiro trimestre de 2013, visto que a demanda tende a apresentar arrefecimento. “Os custos de produção, por outro lado, devem continuar impactando o mercado no inicio de 2013”, sinaliza.
Andreia informa que não existem indicativos quanto a uma redução na oferta de animais e, em conseqüência, na produção de carne suína. “Apesar do cenário ruim no primeiro semestre de 2012, o número de matrizes apresentou crescimento de 1,5%. Com isso, o número de animais abatidos tende a aumentar 1% frente a 2012. A oferta de suínos precisa então ser regulada ao potencial de demanda durante 2013”, alerta.
Para as exportações, Andreia entende que o cenário é promissor, considerando o bom desempenho ao longo deste ano. “O Japão abriu mercado para a carne suína brasileira, assim como os Estados Unidos. O resultado tende a ser positivo”, projeta.

A única ressalva da analista é de saber se, durante o ano de 2013, haverá uma alteração da mentalidade do setor: a de se esquivar de quadros adversos com mais propriedade, sem comprometer tanto a rentabilidade.

Fonte: Diário do Comércio – BELO HORIZONTE – (MG) – 03/01/2013