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Transgênicos é chave para competitividade latino-americana, dizem especialistas

Notícias 31 de outubro de 2012

“Os transgênicos, produtos do processo de inovação biotecnológica, são chave em termos de competitividade em nossos sistemas produtivos”, afirmou o ministro da Pecuária, Agricultura e Pesca uruguaio, Tabaré Aguerre, em entrevista coletiva celebrada no âmbito da GCARD. Aguerre disse que “a competitividade agregada ao desenvolvimento de eventos transgênicos em alguns cultivos foi a razão pela qual a agricultura se transformou em uma atividade mais importante” nos países da região. O Brasil, Uruguai, Argentina e Paraguai – integrantes, junto com a Venezuela, do Mercosul – expandiram na última década sua produção agrícola, principalmente de cultivos de soja, através do uso de sementes geneticamente modificadas. Para Claudio Barriga, Vice-presidente do Fórum Global de Pesquisa (GFAR), os males atribuídos aos transgênicos são um “mito”, pois “não há nenhum caso em que o transgênico tenha sido prejudicial para a saúde ou tenha causado morte”. No entanto, Emilio Ruz, secretário executivo do Programa Cooperativo para o Desenvolvimento Tecnológico e Agroalimentar do Cone Sul (PROCISUR), considera válido “que a sociedade se preocupe com o tema”. “O importante é que as pessoas estejam informadas e que quando os países tomarem a decisão de adotar uma tecnologia, esta decisão esteja apoiada por informação e dados, e nisto estamos avançando”, destacou Ruz. Sobre os efeitos nocivos que algumas organizações sociais e ambientais atribuem aos transgênicos, principalmente seus efeitos para a biodiversidade, Aguerre destacou que “facilmente, com regulamentações de gestão agrícola, é possível conservar centros de biodiversidade”. O secretário-executivo do PROCISUR destacou, por sua vez, que “a tecnologia dos transgênicos trouxe para a região uma carga de agroquímicos menor”. Para Víctor M.Villalobos, Diretor Geral do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), “a biossegurança nos organismos geneticamente modificados está muito fortemente r egulada graças à preocupação do consumidor”. Villalobos esclareceu que o IICA tem uma posição neutra e só se dedica a apoiar tecnicamente os países que decidirem utilizar transgênicos. No âmbito da conferência – celebrada no balneário uruguaio de Punta del Este (140 km ao leste de Montevidéu) – o ministério da Agricultura argentino e o IICA publicaram um estudo comparativo sobre as vantagens dos cultivos de soja geneticamente modificada e convencional em Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. “A aplicação de tecnologias como a semeadura direta e a nutrição química e biológica, o uso correto de biocidas (herbicidas, inseticidas e fungicidas) e a utilização de sementes geneticamente modificadas (OGMs), combinadas com um marco claro de biossegurança (…) permitiram aos países do Cone Sul reduzir o impacto ambiental do cultivo de soja e torná-lo seu principal item de exportação agrícola”, destacou o IICA em um comunicado. Para Ruben Echeverría, diretor geral do Centro Internaci onal de Agricultura Tropical, “a América Latina tem muita heterogeneidade quanto à biossegurança, mas em geral está melhor do que outras regiões em desenvolvimento”. “Estamos bem, mas temos que fazer mais”, acrescentou. Echeverría questionou os países desenvolvidos que não permitem o ingresso em seus mercados de alimentos “que são geneticamente modificados”, em um mundo onde “há bilhões de pessoas, dos 7 bilhões de habitantes do planeta, que comem a cada três dias”, uma quantidade de pessoas que poderia consumir estes produtos. Longe da posição otimista sobre o uso dos transgênicos, os encarregados de organizações sociais questionaram esta forma de desenvolvimento da agricultura. “Não dizemos não à ciência, mas um dos problemas dos transgênicos é a privatização da tecnologia (através de multinacionais), que prejudica os pequenos produtores”, disse à AFP Marcio Lima, integrante da Caritas Brasil. Para Lima, o uso de transgênicos na região “atenta contra a biodiversidade”. “Al ém disso, a agricultura se desenvolveu durante séculos e pode continuar assim sem o uso de sementes transgênicas”, concluiu.
Fonte: Portal do Agronegócio – VICOSA – (MG) – 31/10/2012